Após um ano, quais as tendências em remuneração deixadas pela crise?
Mateus de Oliveira Silva
No início da crise econômica, entre setembro e outubro do ano passado, o que mais se especulava entre os especialistas era se os salários em 2009 seriam corrigidos com a reposição da inflação no período, ou teriam algum ganho real. As categorias profissionais que tiveram que negociar seus salários entre o quarto trimestre do ano passado e o primeiro trimestre deste ano é que, na verdade, foram prejudicadas. A partir daí, com o aquecimento da economia - de uma forma geral, pois alguns setores (automobilístico, linha branca e construção civil) foram altamente incentivados pelo governo - alguns segmentos conseguiram uma negociação um pouco melhor em termos de cláusulas sociais. Agora, completados 12 meses da crise, os sindicatos mais fortes e organizados, incluindo os dos bancários, químicos e petroleiros, exigem ganhos reais, até mesmo como forma de reposição do que não levaram no ano passado.
Quanto aos programas de remuneração variável, foi discutido se deveria ter uma diminuição no potencial de ganhos dos trabalhadores ou não. Na prática, foram poucas as empresas que mexeram nesses ganhos. A maior parte manteve o potencial e substituiu os indicadores por outros mais adequados, para assim enfrentar um cenário de incertezas. Somente uma pequena parcela aumentou a sua PLR (Participação nos Lucros e Resultados), como forma de recompor a remuneração total, já que os salários fixos praticamente foram congelados.
A crise gerou desemprego sem dúvidas, mas é importante notar onde estes cortes ocorreram dentro da pirâmide organizacional. Nas companhias que tinham vários níveis hierárquicos, a redução se teve no nível gerencial. Nas empresas em que os cargos de pisos profissionais são predominantes, o quadro foi reduzido substancialmente. No entanto, as baixas foram mais organizadas do que em vezes anteriores.
Olhando como cenário o estado do Espírito Santo, os salários tiveram um comportamento restritivo, segundo a pesquisa Salarium - II Estudo de Remuneração do Estado do Espírito Santo, conduzida pela Selecta em parceria com a RH PLUS Cia. da Remuneração, empresa paulista especializada em projetos desta natureza. O estudo revela que os salários mais elevados foram os que tiveram as maiores variações positivas - valorização de 10,18% na remuneração fixa e de 7,67% na remuneração total - o que parece um contra-senso, tendo em vista que, geralmente, quando há crise os maiores salários são os primeiros a serem cortados. Porém, isso tem uma explicação técnica: as empresas tomaram cuidados para não perderem seus colaboradores chaves, que já estavam treinados. Algumas até ofereceram bons incentivos para mantê-los, pois substituí-los poderia sair mais caro, devido a dificuldade de encontrar pessoas capacitadas no mercado.
Os cargos técnico-administrativos também foram valorizados neste momento de crise. Os salários cresceram entre 12 % e 13 % na média e os profissionais mais especializados neste extrato chegaram a uma valorização de até 28% e 38 %. Todavia, os cargos do segundo escalão - supervisão em geral - sofreram maior impacto. Redução de 17% a 21 %, em média. No geral, a massa salarial da remuneração fixa caiu, em média, cerca de 3,31% e em 3,42% na remuneração total.
Neste cenário pós-crise, podemos dizer que, principalmente a Remuneração Fixa será vista de forma diferenciada daqui para frente. Há uma forte tendência para que os Planos de Cargos e Salários sejam adequados às necessidades, características e estratégias das empresas, recebendo envolvimento direto da alta cúpula na formatação, para assim, ganhar visão estratégica.
Mateus de Oliveira Silva
Com mais de 30 anos de experiência profissional na área de Recursos Humanos e economista de formação, Mateus de Oliveira Silva é diretor da RH PLUS Cia. da Remuneração, única consultoria nacional indicada por seis anos seguidos para o Prêmio Top of Mind Fornecedores de RH. Tal fato, é o reconhecimento público do padrão e qualida
Artigos feito por: Mateus de Oliveira Silva, em novembro de 2009
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